O que é o histrião? Não é o capitão de um navio em águas límpidas. O histrião é uma espécie de esquadrão suicida chamado para ocasiões que se anunciam catastróficas. O histrião é um kamikaze. Não há histriões e não há onda conservadora quando uma sociedade atravessa um consenso conservador. Nesse mar, não há ondas e o dissidente faz papel de lunático ou visionário. Só surgem reativos, histriões, quando brota o dissenso. Ou seja, quando surge um espaço até então desconhecido, inaugurando um novo regime da aparência. Só há onda conservadora onde há linhas de força correndo em sentidos opostos.

(…)

Como se vê, as transformações da sociedade, muitas delas invisíveis e no plano do potencial, podem produzir resultados visíveis muito divergentes. Tem razão quem duvida de que mudanças se concretizem sem uma contrapartida institucional, uma forma perene e identificável que possa assumir seu nome. Mas formas assim não se compram no supermercado. Não estão dadas de antemão. Há descompassos e alternâncias de velocidade que são muito bem manobrados por quem domina os caminhos que já estão abertos. Abrir outros caminhos é tarefa mais árdua, incerta e demorada. Nesse meio-tempo, as emoções fervilham.

Dialética do triunfo conservador

Sobre o livro “Gabinete Digital: análise de uma experiência”

18718971Criado em maio de 2011, o Gabinete Digital é um canal de participação e diálogo entre a sociedade civil e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Ligado à Secretaria-Geral de Governo, busca permitir que os cidadãos influenciem na gestão pública e exerçam maior controle social sobre o Estado através de mecanismos inovadores relacionados às novas tecnologias de informação e comunicação.

Confesso que fui levemente enganado pelo título. A princípio, acreditei que o livro seria, de fato, uma análise sobre o Gabinete Digital: como foi pensado, organizado, desenvolvido e aberto para o público, seus erros, acertos e os futuros passos dentro da experiência. No entanto, os diversos artigos presentes na publicação tratam não só do GD – e os que tratam o fazem de uma forma pouco específica –, mas também dos assuntos em que o Gabinete está inserido, como a democracia digital e as formas de participação pública na Internet. É importante contextualizar, mas a falta de uma amarra entre os capítulos (ainda que artigos distintos) e a ausência de uma análise mais profunda sobre o GD em si podem frustrar um pouco aqueles que gostariam de usar a experiência do Rio Grande do Sul como base para novos projetos.

Como o GD tem como prática a fidelidade ao conhecimento livre e compartilhado, deixo a sugestão de que o livro, assim como já ocorreu com os códigos desenvolvidos para o portal, também seja disponibilizado em forma crua (é possível fazer o download gratuito do livro). Há uma série de pequenos erros de digitação e revisão que poderiam ser totalmente solucionados de forma colaborativa.

Remote, o novo livro da 37signals

A 37signals, responsável por produtos como o Basecamp, Campfire e também pelos livros Getting Real (gratuito em PDF) e Rework, está lançando Remote, que mostra os porquês e os comos de se trabalhar de maneira distribuída.

Quase 70% dos 39 funcionários da 37signals trabalham, remotamente, das mais variadas partes do mundo – não tão variadas assim, América do Norte e Europa basicamente, mas enfim. Eles não tem horários restritos, não precisam se deslocar até o escritório, muito menos se vestir formalmente. O tempo que seria gasto com tais tarefas é usado de forma livre, como os funcionários desejarem.

Como li e gostei muito das duas publicações anteriores, já aguardo ansiosamente a minha cópia.