Deep Work, segunda regra: aceite o ócio

A segunda das quatro regras do livro Trabalho Focado tem como ideia a arte de aceitar o ócio. Mas o ócio aqui não é o simplesmente não fazer nada, ou ficar rolando algum aplicativo como o Twitter ou o Instagram. Em paralelo ao que Domenico de Masi explica em seu livro O ócio criativo, o objetivo é aplicar os conceitos do trabalho focado para que seu tempo livre também tenha qualidade.

Newport utiliza conceitos da atenção plena, também conhecida como mindfulness, para explicar que quanto menos tempo de ócio você se permite ter, mais difícil pode se tornar a entrada num modo totalmente focado. Aceitar o ócio precisa ser mais importante do que o preenchimento dos espaços com coisas aparentemente recompensadoras. Em vez de não fazermos nada enquanto aguardamos na fila do banco, as redes sociais acabam preenchendo esse vazio incômodo.

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Deep Work, primeira regra: trabalhe com foco

Na primeira parte do livro Deep Work (Trabalhe focado, na edição brasileira) Cal Newport explica os conceitos sobre trabalho focado e justifica sua importância. Já na segunda metade, são apresentadas formas para implementá-lo, divididas em quatro regras:

  1. Trabalhe com foco
  2. Aceite o ócio
  3. Saia das redes sociais
  4. Remova o superficial

Como a primeira regra é extensa – na verdade, é o maior capítulo do livro, resolvi tratar só dela e deixar os outros tópicos pra depois.

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Deep Work, de Cal Newport: o trabalho focado

WhatsApp, redes sociais, Slack, notificações. Com as inúmeras interrupções presentes em um dia, o trabalho focado não é algo que vem naturalmente pra muitos de nós. Somado a esse problema, pessoas que trabalham com computadores a maioria do tempo tem uma outra luta: definir se aquilo que estão fazendo é de fato significativo ou somente uma tarefa automática que consome o tempo e nada produz. Estaríamos de fato trabalhando ou só enrolando com o aval da própria empresa e da sociedade?

Foi num clube do livro dentro do meu trabalho que fui encorajado a ler Deep Work, de Cal Newport. A primeira parte do livro, tratada neste post, fala dos conceitos por trás do trabalho focado; a segunda vai cuidar da aplicação desses conceitos no dia-a-dia.

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Gerenciando pedidos via WhatsApp com o GoomerGo

Com o coronavírus comendo solto, estabelecimentos comerciais também precisaram se adaptar ao mundo online. Como o mundo do comércio eletrônico não é algo fácil de se domar, empreendedores estão se virando com as ferramentas do dia-a-dia: redes sociais e/ou WhatsApp.

O problema é que essas ferramentas não são as ideais, e qualquer pedido tem a enorme chance de virar uma conversa de vários minutos:

Qual o cardápio? Quanto custa o produto? Quanto é o frete? Posso retirar no local? Até que horas vocês ficam abertos?

Quando se tem somente dois ou três pedidos, o processo até flui. O problema é quando são 30. Ou 50.

Pra quem precisa entrar rapidamente na internet sem gastar dinheiro ou tempo com implementação, uma dica é o GoomerGo, um serviço bem bacana que encontrei esses dias num restaurante do meu bairro. Gratuito, ele ajuda a criar um site, listar produtos, escolher formas de entrega, adicionar horário de atendimento e gerar um pedido bem formatadinho, mandado via WhatsApp para o telefone da empresa:

Você faz o pedido através do site e o restaurante recebe um resumo dele diretamente no telefone

Obviamente, você ainda gerencia os pedidos através de uma ferramenta que não foi feita pra isso. Porém, a vantagem é cortar o papo desnecessário, gerar um pedido completo e permitir que seu tempo seja gasto em coisas mais importantes. É um baita serviço para empreendedores que precisam se adaptar aos novos tempos.

Home office ou trabalho remoto: ferramentas digitais em tempos de mudança

O coronavírus impôs uma nova realidade ao mundo e, consequentemente, à muitos trabalhadores que tiveram que rapidamente lidar com essa mudança radical de cultura. Em questão de dias, muitas pessoas entraram no mundo do home office, e trabalhar de casa, preparar sua rotina, cuidar dos filhos e ainda evitar a procrastinação e a falta de foco se tornaram um enorme desafio.

Inúmeros textos brotaram, pós COVID-19, sobre trabalho remoto. A maioria dos que li focam em dicas e orientações geais, algo que eu mesmo esbocei aqui há uns anos. Como as dicas ainda são as mesmas, resolvi focar em ferramentas que me ajudam a trabalhar de casa.

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Como educar crianças feministas

Ensine-a que se você criticar X em mulheres mas não criticar X em homens, então você não tem um problema com X, mas sim um problema com mulheres.


Há nove anos, quando soube que um amigo meu ia ter um filho, dei um livro de presente para ele. Rules for My Unborn Son, ou “Regras para meu filho que ainda não nasceu” em tradução livre, possui conselhos maravilhosos mesclados com algumas poucas cagações de regras datadas e levemente preconceituosas. Essa constatação só vem com o tempo, e que bom que o pensamento evolui com as mudanças na nossa sociedade. Lembrei dele quando comecei a ler o pequeno livro de Chimamanda Ngozi Adichie chamado Para educar crianças feministas: um manifesto.

Adichie, ao ser indagada por uma amiga querendo dicas para criar sua filha de uma forma feminista, escreveu uma carta com quinze conselhos. Posteriormente, estes conselhos viraram um livro que fala de sociedade, de igualdade, e da nossa participação no questionamento dos aspectos culturais que nos envolvem.

Ainda que seja escrito com uma pequena menina na cabeça, Para educar crianças feministas: um manifesto é feito para todas as crianças, para pais e mães e, principalmente, para todas as pessoas que queiram fazer parte de um mundo melhor.

O vídeo abaixo complementa tudo que Adichie expressou no livro:

Dias Gomes: ditadura, subversão e pornografia

Após ter a peça liberada pela ditadura, Dias Gomes descobre que O berço do herói não entraria em cartaz por uma proibição explícita do governador da Guanabara, Carlos Lacerda. De acordo com Lacerda, a peça que serviu de base para Roque Santeiro era pornográfica e subversiva.

Dias depois do fato, uma nota do secretário de Segurança, coronel Gustavo Borges, foi publicada em um dos jornais da época. Dos seis tópicos que compões a justificativa para a proibição, destaca-se quão atual o segundo deles se mantém:

Pretendem, pois, autor [Dias Gomes] e empresário, usar a polícia como fato de propaganda gratuita nos jornais, induzidos sutilmente a publicarem a notícia pré-fabricada de interdição de uma pseudo-obra de arte visando a demonstrar que o “terrorismo intelectual” vem sendo aplicado pelas autoridades responsáveis pela ordem pública e pela preservação dos bons costumes. A verdade, porém, é estarem esses senhores engajados na implantação de uma “ditadura cultural”, através do abuso de liberdade democrática […]

E abaixo, uma entrevista com o autor no programa Roda Viva, em junho de 1995:

Santos Dumont, João Gilberto e Rio de Janeiro

Decolar e pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, é tão lindo que transformei uma gravação de quase 14 minutos, feita com meu celular, neste pequeno vídeo. Na trilha, Vivo sonhando, a música de Tom Jobim que fecha o disco Getz/Gilberto, de 1964. 🖤