
Esses dias fui li alguém afirmando que automatizou seus posts no LinkedIn usando inteligência artificial. Não que eu espere muito da rede social, mas me veio uma pergunta à cabeça: que problema estamos tentando resolver?
Hoje, talvez também com nossa colaboração, pipocam textos prolixos e cansativos. As notas que deixamos uns aos outros são mais extensas do que o trabalho em si. Em processos de recrutamento, usamos IA para gerar currículos e responder a perguntas que exigem um nível de presença e personalidade que nenhum robô pode ofertar. Sinto que meu cérebro tem sido treinado, voluntária e involuntariamente, a ignorar conteúdo com Títulos e Subtítulos em Maiúsculas, que explique todo assunto em uma lista, ou que possua imagens claramente artificiais que pouco contribuem para o texto em si. A sensação é de sempre estarmos lendo – e vendo – a mesma coisa.
Por mais que treinemos os assistentes de IA pra serem menos previsíveis (“remova os travessões, por favor”), não é preciso mais que alguns artigos pra notar um padrão. Quem sabe, esse seja o tipo de conteúdo que redes sociais e motores de busca queiram, mas não é o conteúdo que eu, como usuário final, tenho interesse em consumir. O que teoricamente foi feito pra engajar causa o efeito oposto: afasta a interação humana.
E longe de mim ser purista; ferramentas de IA tem me ajudado demais, e gosto muito de usá-las como companheiras, uma extensão do meu trabalho. Mas seja por falta de tempo (um sintoma de que estamos fazendo mais do que deveríamos), por falta de interesse (nem todo mundo gosta de escrever, faz parte) ou pela ansiedade perante uma tecnologia nova, penso que seguimos automatizando as coisas que só a gente consegue oferecer ao mundo.
Torço para que essas ferramentas sejam apenas o primeiro ponto de parada. Que continuemos a usá-las para reduzir o que é burocrático e tedioso, mas principalmente para ampliar os horizontes daquilo que a gente pode criar com a nossa cara e nossa voz.
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