Deep Work, segunda regra: aceite o ócio

A segunda das quatro regras do livro Trabalho Focado tem como ideia a arte de aceitar o ócio. Mas o ócio aqui não é o simplesmente não fazer nada, ou ficar rolando algum aplicativo como o Twitter ou o Instagram. Em paralelo ao que Domenico de Masi explica em seu livro O ócio criativo, o objetivo é aplicar os conceitos do trabalho focado para que seu tempo livre também tenha qualidade.

A pedagogia do ócio também tem sua ética, sua estética, sua dinâmica e suas técnicas. E tudo isso deve ser ensinado. O ócio requer uma escolha atenta dos lugares justos: para se repousar, para se distrair e para se divertir. Portanto é preciso ensinar aos jovens não só como se virar nos meandros do trabalho, mas também pelos meandros dos vários possíveis lazeres. Significa educar para a solidão e para a companhia, para a solidariedade e para o voluntariado. Significa ensinar como se evita a alienação que pode ser provocada pelo tempo vago, tão perigosa quanto a alienação derivada do trabalho.

O ócio criativo, de Domenico de Masi

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Deep Work, primeira regra: trabalhe com foco

Na primeira parte do livro Deep Work (Trabalhe focado, na edição brasileira) Cal Newport explica os conceitos sobre trabalho focado e justifica sua importância. Já na segunda metade, são apresentadas formas para implementá-lo, divididas em quatro regras:

  1. Trabalhe com foco
  2. Aceite o ócio
  3. Saia das redes sociais
  4. Remova o superficial

Como a primeira regra é extensa – na verdade, é o maior capítulo do livro, resolvi tratar só dela e deixar os outros tópicos pra depois.

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Deep Work, de Cal Newport: o trabalho focado

WhatsApp, redes sociais, Slack, notificações. Com as inúmeras interrupções presentes em um dia, o trabalho focado não é algo que vem naturalmente pra muitos de nós. Somado a esse problema, pessoas que trabalham com computadores a maioria do tempo tem uma outra luta: definir se aquilo que estão fazendo é de fato significativo ou somente uma tarefa automática que consome o tempo e nada produz. Estaríamos de fato trabalhando ou só enrolando com o aval da própria empresa e da sociedade?

Foi num clube do livro dentro do meu trabalho que fui encorajado a ler Deep Work, de Cal Newport. A primeira parte do livro, tratada neste post, fala dos conceitos por trás do trabalho focado; a segunda vai cuidar da aplicação desses conceitos no dia-a-dia.

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Como educar crianças feministas

Ensine-a que se você criticar X em mulheres mas não criticar X em homens, então você não tem um problema com X, mas sim um problema com mulheres.


Há nove anos, quando soube que um amigo meu ia ter um filho, dei um livro de presente para ele. Rules for My Unborn Son, ou “Regras para meu filho que ainda não nasceu” em tradução livre, possui conselhos maravilhosos mesclados com algumas poucas cagações de regras datadas e levemente preconceituosas. Essa constatação só vem com o tempo, e que bom que o pensamento evolui com as mudanças na nossa sociedade. Lembrei dele quando comecei a ler o pequeno livro de Chimamanda Ngozi Adichie chamado Para educar crianças feministas: um manifesto.

Adichie, ao ser indagada por uma amiga querendo dicas para criar sua filha de uma forma feminista, escreveu uma carta com quinze conselhos. Posteriormente, estes conselhos viraram um livro que fala de sociedade, de igualdade, e da nossa participação no questionamento dos aspectos culturais que nos envolvem.

Ainda que seja escrito com uma pequena menina na cabeça, Para educar crianças feministas: um manifesto é feito para todas as crianças, para pais e mães e, principalmente, para todas as pessoas que queiram fazer parte de um mundo melhor.

O vídeo abaixo complementa tudo que Adichie expressou no livro:

Dias Gomes: ditadura, subversão e pornografia

Após ter a peça liberada pela ditadura, Dias Gomes descobre que O berço do herói não entraria em cartaz por uma proibição explícita do governador da Guanabara, Carlos Lacerda. De acordo com Lacerda, a peça que serviu de base para Roque Santeiro era pornográfica e subversiva.

Dias depois do fato, uma nota do secretário de Segurança, coronel Gustavo Borges, foi publicada em um dos jornais da época. Dos seis tópicos que compões a justificativa para a proibição, destaca-se quão atual o segundo deles se mantém:

Pretendem, pois, autor [Dias Gomes] e empresário, usar a polícia como fato de propaganda gratuita nos jornais, induzidos sutilmente a publicarem a notícia pré-fabricada de interdição de uma pseudo-obra de arte visando a demonstrar que o “terrorismo intelectual” vem sendo aplicado pelas autoridades responsáveis pela ordem pública e pela preservação dos bons costumes. A verdade, porém, é estarem esses senhores engajados na implantação de uma “ditadura cultural”, através do abuso de liberdade democrática […]

E abaixo, uma entrevista com o autor no programa Roda Viva, em junho de 1995:

Stoner, de John Williams

“Em seu quadragésimo terceiro ano, William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens que ele, haviam aprendido antes dele: que a pessoa a quem se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim, mas sim um processo através do qual uma pessoa experimenta conhecer outra.”

Stoner
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Febre de bola

Em Fever Pitch (Febre de bola), Nick Hornby exalta não somente o seu amor pelo Arsenal, mas também pelo futebol como um todo. E é a passagem abaixo, já no finalzinho do livro, que talvez explique um pouco da emoção que esse esporte consegue prover:

None of the moments that people describe as the best in their lives seem analogous to me. Childbirth must be extraordinarily moving, but it doesn’t really have the crucial surprise element, and in any case lasts too long; the fulfillment of personal ambition — promotions, awards, what have you — doesn’t have the last-minute time factor, nor the element of powerlessness that I felt that night. And what else is there that can possibly provide suddenness? A huge pools win, maybe, but the gaining of large sums of money affects a different part of the psyche altogether, and has none of the communal ecstasy of football.

There is then, literally, nothing to describe it. I have exhausted all the available options. I can recall nothing else that I have coveted for two decades (what else is there that can reasonably be coveted for that long?), nor can I recall anything else that I have desired as both man and boy. So please, be tolerant of those who describe a sporting moment as their best ever. We do not lack imagination, nor have we had sad and barren lives; it is just that real life is paler, duller, and contains less potential for unexpected delirium.

E na tradução de Christian Schwartz, na edição da Companhia das Letras:

Nada do que as pessoas descrevem como os melhores momentos da vida me parece comparável. O nascimento de uma criança deve ser extraordinariamente emocionante, mas não tem, na verdade, o elemento surpresa, tão crucial, e de qualquer maneira dura tempo demais; atingir um objetivo pessoal — uma promoção, um prêmio, seja lá o que for — não acontece no último minuto, nem carrega a sensação de impotência que eu tinha naquela noite. E que outra coisa existe por aí que seja tão repentina? Acertar o prêmio acumulado na loteria, talvez, mas ganhar uma bolada em dinheiro mexe com uma parte totalmente diferente da psique, e falta, nesse caso, o êxtase coletivo do futebol.

Não há nada, portanto, capaz de descrever como é. Exauri todas as possibilidades. Não consigo lembrar mais nada que eu tenha cobiçado por duas décadas (que outra coisa alguém cobiçaria por tanto tempo?), tampouco algo mais que eu tenha desejado tanto em criança como na idade adulta. Então, por favor, sejam tolerantes com aqueles que reputam um momento esportivo como o melhor da vida. Não é que nos falte imaginação, nem que nossas vidas tenham sido tristes e improdutivas; é só que a vida real tem menos cor, é mais chata e contém potencial menor pra um delírio inesperado.

Aproveitando, mas que juiz pau no cu que é esse Michael Oliver.

Para compartilhar #2

O single de Come as You Are lançado pela Folha gratuitamente

Em 1992, o jornal Folha de S.Paulo presenteou os seus assinantes com um disco de uma banda até então desconhecida. Num domingo daquele ano, os fiéis leitores receberam junto com a edição do diário um vinil de um tal de Nirvana. E, veja bem, não era o Nevermind, disco lançado em setembro do ano anterior, que já estava bombando na gringa. Era “Come As You Are”, segundo single daquele álbum. O presentinho foi feito em vinil. EM VINIL.

Baita reportagem da Vice sobre uma história que nem eu, viciado da porra, sabia sobre a banda.

Neutralidade da rede garantida no Brasil?

De acordo com o NIC.br, o fim da neutralidade da rede nos Estados Unidos não deve gerar consequências ao Brasil. Resta garantir que o Marco Civil se mantenha de pé mesmo com tentativas de flexibilização sendo propostas pelas teles.

Para mais informações, recomendo também o site Direitos na Rede.

Quanto ganha um magistrado?

Um rapaz muito bacana extraiu os contracheques de todos os magistrados disponíveis no site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e gerou um arquivo CSV que mostra que algun dos salários chegam a mais de R$ 100 mil.