México: um mapa com dicas de amigos e amigas para se conhecer o país

O mapa abaixo lista algumas dicas sobre lugares para se conhecer no México. A maior parte desses lugares fica na península de Yucatán, então a concentração de praias, ilhas e cenotes é grande. Clicando nos pontos, é possível ver links que levam a sites que falam da cidade ou do ponto turístico em questão.

Vou tentar manter o mapa em constante atualização. Assim ele fica disponível como referência para quem, como eu, tá querendo conhecer o país.

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Aqui, vou tentar listar textos que escrevi sobre os lugares por onde passei. Espero que eles ajudem. 🙂

“Colocando de forma mais clara: o desejo por segurança e o sentimento de insegurança são a mesma coisa. Prender a respiração é perder a respiração. Uma sociedade baseada na busca da segurança não passa de uma competição de prender a respiração, na qual todas as pessoas estão tão tensas como um tambor e tão roxas como uma beterraba.

Alan Watts, em The Wisdom of Insecurity: A Message for an Age of Anxiety

Virada Cultural: A vocação de SP para erguer muros separando ricos e pobres

A alma encantadora das ruas

A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas.

João do Rio, como ficou conhecido João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, foi um escritor brasileiro conhecido pelos contos, concentrados nos primeiros anos de 1900, que tratavam da sociedade e, especialmente, do Rio de Janeiro e seus cidadãos.

Em A alma encantadora das ruas, o autor extrai do Rio de Janeiro do início do século XX aquilo que representa o seu cerne: a rua e seus personagens. O autor a glorifica e descreve esse universo – mercadores a gritar, pintores e estivadores, vagabundos e ladrões, os chineses e seu ópio, prostitutas e pedintes –  de uma forma tão atual que, não fossem os parágrafos rebuscados, seria possível imaginar seus textos sendo escritos dias atrás.

É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da multidão, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes.

O flâneur é o bonhomme possuidor de uma alma igualitária e risonha, falando aos notáveis e aos humildes com doçura, porque de ambos conhece a face misteriosa e cada vez mais se convence da inutilidade da cólera e da necessidade do perdão.

Eu fui um pouco esse tipo complexo, e, talvez por isso, cada rua é para mim um ser vivo e imóvel.

Mimimi

Quando você rotula algo como mimimi, você faz isso porque já tentou se posicionar dentro da questão abordada ou, na real, só usa a expressão como um eufemismo para “eu tenho preguiça de / não tenho interesse em tentar entender outro ponto de vista”?
 
Sendo a segunda alternativa correta, você pode trocar o mimimi por calar a boca e assumir que pouco lhe importam os motivos alheios. Além de mais honesto, é show de bola ficar quieto em assuntos que não dominamos nem queremos dominar.

Sabedoria radical, por Ricardo Semler

Na manhã de hoje, parei pra ler o jornal e uma coluna me chamou a atenção. Ela, resumidamente, encorajava o leitor, frente a uma discussão política dentro das redes sociais, a ser adulto: analisar fatos, discutir novas ideias e praticar a empatia. Isso, de acordo com o colunista, elevaria o nível do debate e contribuiria e muito para a criação de um ambiente mais sadio ou, no mínimo, menos nocivo.

Ao abrir, dias atrás, um texto com o título “Se você responde emails após o trabalho, você deveria ter férias ilimitadas” (em inglês), percebi que Ricardo Semler pensou algo assim para a Semco, sua empresa. Tudo lá é tratado como uma relação de adultos para adultos, onde cada um lava a sua louça e fortalece os laços para que o grupo todo esteja em uníssono.

“Todos nós aprendemos a acessar nosso email num domingo à noite e trabalhar de casa. Mas poucos de nós aprenderam a ir ao cinema segunda-feira à tarde.”

Percebi então que esse nome, Ricardo Semler, não me era estranho. Ricardo escreveu, em 2014, sua visão de que nunca se havia roubado tão pouco no país. Na época, o título me chamou a atenção, porém não tanto quanto as chamadas que o acompanhavam, todas com claras inclinações à esquerda: “vejam só um tucano falando de algumas benfeitorias do governo atual”. Tirando o jogo partidário infantil que é gerado por textos assim, a súplica do texto é a mesma do colunista do primeiro parágrafo: por favor, sejamos adultos.

Na conversa abaixo, Ricardo explica como, 30 anos atrás, a Semco começou a mudar a forma de tratar a própria companhia e seus funcionários –  gerenciamento horizontal, transparência pesada, férias e salários definidos pelas próprias pessoas, entre outras tantas coisas legais – e como essa experiência gerou a escola Lumiar, o seu ideal de educação para o fututo. Ele aproveita também para comentar sobre sabedoria e controle, princípios também abordados por Alan Watts em seu livro “A sabedoria da insegurança” (The Wisdom of Insecurity: A Message for an Age of Anxiety, no original). Nele, Watts explica como a nossa necessidade por segurança e controle é o que causa, ironicamente, a sensação de que estamos inseguros. E parece que Ricardo compartilha essa admirável visão.

https://embed-ssl.ted.com/talks/ricardo_semler_radical_wisdom_for_a_company_a_school_a_life.html

Auto-sabotagem

É normal esperar que nós sempre iremos, quase que instintivamente, procurar a nossa própria felicidade; especialmente em duas grandes áreas de potencial satisfação: relacionamentos e carreira.

Então, é estranho e um tanto quanto desanimador descobrir quão frequente alguns de nós parecemos agir como se estivéssemos deliberadamente tentando arruinar as nossas chances de termos o que nós achamos que queremos.

Quando vamos a encontros com candidatos e candidatas por quem nos interessamos, podemos subitamente cair em um desnecessário comportamento de teimosia ou de oposição.

Não temos dificuldade em usar nosso charme com pessoas em quem não estamos tão interessadas assim. Ou, em relacionamentos, podemos desorientar nossos parceiros através de repetidas e infundadas acusações ou ataques de raiva como se quiséssemos, de alguma forma, entristecer nosso dia quando, exaustos e frustrados, as pessoas de quem gostamos são forçadas a sair de perto, ainda complacentes, mas incapazes de aguentar tanto drama.

Da mesma forma, poderíamos destruir nossas chances de promoção no trabalho quando, de repente, depois de muitos anos promissores, ficamos ásperos com os nossos gerentes e, em várias ocasiões, deixamos de entregar relatórios a tempo para as reuniões.

Tal comportamento não pode ser explicado como simplesmente falta de sorte. Merece um termo mais forte, intencional. Isto é a auto-sabotagem.

O que poderia explicar tal comportamento destrutivo? Em grande parte, quão enervante a felicidade pode nos parecer? Apesar da felicidade ser, claro, aquilo que nós essencialmente queremos, para muitos de nós isso não é conhecido.

Nós crescemos e aprendemos a fazer as pazes com situações muito mais tenebrosas. A perspectiva de felicidade, quando aparece, pode parecer um pouco fora de juízo e bastante assustadora. Não é o que esperamos e não nos faz sentir em casa. Nós podemos acabar escolhendo aquilo que é confortavelmente familiar, mesmo que seja difícil, em vez do que é bom e gratificante. Conseguir o que queremos pode parecer insuportavelmente arriscado. Isso nos coloca à mercê do destino. Nós nos abrimos para a esperança e para a subsequente possibilidade de perda. A auto-sabotagem pode nos deixar tristes, porém segura e felizmente em controle.

Pode ser útil manter o conceito de auto-sabotagem em mente ao interpretar comportamentos esquisitos em nós e nos outros.

Devemos suspeitar quando nos pegamos tendo atuações instáveis perto de pessoas das quais gostamos ou precisamos impressionar.

Além disso, diante da maldade e da falta de confiança alheios, ousemos imaginar que, talvez, as coisas não sejam o que parecem. Quem sabe, nós acabamos encontrando não um desagradável e nocivo oponente, mas um auto-sabotador ferido, que merece um pouco de paciência e deve ser gentilmente estimulado a parar de se fazer mal. Nós devemos nos familiarizar com esta questão e ajudar os outros a ver quão difícil e desanimador pode ser, às vezes, estar perto das coisas que realmente desejamos.


Traduzido com base na transcrição desta maravilhosa pessoa.