O ano é 2018, mas o comprometimento é do ano passado: as descobertas musicais de 2017

Pra comemorar um ano tão estranho que até o Foo Fighters lançou disco bom, segue mais uma lista com belas descobertas feitas no último movimento de translação terrestre completo. Agradeço mais uma vez ao Spotify, aos meus amigos e amigas de gosto musica refinado e, claro, ao Shazam, que me salva sempre que preciso.

25 anos de 1992 🎵

Vídeos com estética duvidosa, Sharon Stone, Máquina Mortífera 3 e Bon Jovi de cabelo curto: bem-vindos e bem-vindas ao ano de 1992.

São mais de 40 músicas, hoje completando um quarto de século, distribuídas em três horas de som. Para cada música potencialmente boa que deixei de fora, me comprometi a adicionar algum lixo que eu adoro. De nada.

Ah, 1992 também foi o ano que o Ozzy prometeu nunca mais entrar em turnê.

Para compartilhar #2

O single de Come as You Are lançado pela Folha gratuitamente

Em 1992, o jornal Folha de S.Paulo presenteou os seus assinantes com um disco de uma banda até então desconhecida. Num domingo daquele ano, os fiéis leitores receberam junto com a edição do diário um vinil de um tal de Nirvana. E, veja bem, não era o Nevermind, disco lançado em setembro do ano anterior, que já estava bombando na gringa. Era “Come As You Are”, segundo single daquele álbum. O presentinho foi feito em vinil. EM VINIL.

Baita reportagem da Vice sobre uma história que nem eu, viciado da porra, sabia sobre a banda.

Neutralidade da rede garantida no Brasil?

De acordo com o NIC.br, o fim da neutralidade da rede nos Estados Unidos não deve gerar consequências ao Brasil. Resta garantir que o Marco Civil se mantenha de pé mesmo com tentativas de flexibilização sendo propostas pelas teles.

Para mais informações, recomendo também o site Direitos na Rede.

Quanto ganha um magistrado?

Um rapaz muito bacana extraiu os contracheques de todos os magistrados disponíveis no site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e gerou um arquivo CSV que mostra que algun dos salários chegam a mais de R$ 100 mil.

Not dead and not for sale

Na época de Core, o primeiro disco do Stone Temple Pilots, Scott Weiland foi tido como uma versão meia-bomba do Eddie Vedder. A real é que tanto Weiland quanto a banda sempre foram mais versáteis que uns quinze Pearl Jam combinados. As composições fora de série dos irmãos DeLeo ficavam ainda mais maravilhosas sob o comando de um vocalista tão versátil e carismático.

Scott Weiland faria hoje 50 anos. Um dos maiores frontmen que já tive a felicidade de ver ao vivo, e mais um que merece todas as reverências possíveis.

Álbuns clássicos no Paint

Graças ao anúncio da Microsoft sobre aposentar o Paint, o criador do Public Collectors, Marc Fischer, compartilhou novamente sua compilação de capas de discos feitas usando o MS Paint e outros programas similares. Oriundas de fóruns antigos de sites de música, a coleção disponível no Flickr é extensa e conta com muitas ilustrações bacanas.

E o pior é que a Microsoft nem bem anunciou o fim do Paint e já voltou atrás.

Veja o álbum completo no Flickr, além de mais coisas bacanas no Public Collectors.

 

Wave goodbye

Meu primeiro contato com o Soundgarden foi numa locadora de games, bem pertinho da casa dos meus pais, há mais de vinte anos. Dono de um Mega Drive, eu ia até a locadora na esperança de que o novo Road Rash, lançado para o antigo 3DO, já estivesse disponível.

Não demorou muito para o CD aparecer por lá e então ficar maravilhado com a abertura do jogo:

Encontrei Rusty Cage, enfim, na coletânea A-Sides do Soundgarden, um dos primeiros CDs que comprei na vida. O disco me apresentou não só para uma nova banda, mas para uma banda que esteve em constante evolução durante sua existência. Influenciado por uma porrada de gente – Beatles, Zeppelin, Black Sabbath, Stones, Ramones, Budgie – o Soundgarden me ajudou a dar valor para muitas bandas que mereciam ser ouvidas de verdade. Mas foi só depois, com Cornell, que entendi a real amplitude disso.

My favorite Soundgarden record is the last one. We weren’t a band who ended up strangling each other or fighting with lawyers. We had critical success, we had commercial success, we made records I think are timeless, and we were together for a long time. I’m not so greedy that I want more of that.

Chris Cornell

Não foi fácil absorver Euphoria Mourning, seu primeiro disco solo, e torci o nariz quando assisti ao clipe de Can’t Change Me ainda na MTV. Talvez por ainda estar muito travado na adolescência, foi daqueles discos que aprendi a gostar aos poucos, ao mesmo tempo que começava a compreender quão versátil e criativo Cornell fora em sua carreira.

Wave Goodbye, nome que Cornell deu à música que ele fez para Jeff Buckley, é hoje também o nome que uso para homenageá-lo. Montei duas listas, uma em áudio e outra em vídeo, com algumas das canções que me marcaram durante década e meia de reverência. Composições próprias, apresentações ao vivo e covers impecáveis constituem apenas uma pequena fração de como Cornell foi influenciado e segue influenciando tanta gente.

Não o vi ao vivo, nem solo nem com o Soundgarden, e isso me entristece um pouco. Cornell faria 53 anos hoje. Baita cantor, incrível compositor e um dos poucos heróis musicais que tive. Fica o meu agradecimento.

Descobertas musicais de 2016 ou: eu já fiz listas assim antes, mas nunca as publiquei

Meu amigo Michel, arrisco dizer uns dez anos atrás, gravou um CD bastante peculiar. Por talvez obra do álcool ou apenas graças a um gosto doido pela mistura de elementos que não foram feitos para andar de mão dada – o que poderia ser facilmente comprovado em nossas experiências culinárias, o CD-R da Sony continha uma seleção tão ímpar que fica até difícil de descrever: começando com música gauchesca, a lista passava por um funk proibidão, seguido de uma piada do Ari Toledo e alguma música do Nightwish apenas reconhecida por fãs de Nightwish. Tudo isso em sequência, sem vergonha de ser feliz. Era como se, a cada faixa nova, você fosse transportado para um novo universo ainda mais bizarro que o anterior.

Inspirado por essa obra vanguardista, resolvi então compartilhar as belas descobertas feitas neste belo ano, que incluem músicas registradas graças ao Shazam, algumas recomendações do próprio Spotify e dicas de amigos e amigas. A playlist abaixo talvez soe meio amigo-vira-DJ-no-fim-da-festa, mas garanto que é de coração.