Sete anos no Tibet

Embora eu tenha aprendido, na Ásia, como meditar, a resposta final para o enigma da vida não foi concedida a mim. Porém, pelo menos aprendi a contemplar os acontecimentos da vida com tranquilidade e não me deixar ser arremessado para frente e para trás pelas circunstâncias em um mar de dúvidas.

Em Sete anos no Tibet, o austríaco Harrer conta um pouco de seu caminho, iniciado ao ser feito prisioneiro de guerra na Índia, durante a segunda guerra mundial, e só finalizado após a invasão ao Tibet pelo exército comunista chinês em 1950. Fugitivos de uma série de campos, Heinrich e alguns companheiros – aqui, principalmente Peter Aufschnaiter – seguiram Tibet adentro com o objetivo de encontrar exílio no país, então neutro. Vila após vila, conhecendo pessoas, estudando a língua, fugindo de ladrões, fazendo amizade com iaques e forjando vistos, os dois amigos atravessaram o Himalaia e alcançaram Lhasa, a capital sagrada. É incrível constatar que, seis anos depois do início dessa jornada, Harrer se tornaria tutor e um grande amigo do décimo quarto Dalai Lama.

Um livro como Sete anos no Tibet, contado de forma tão simples, tão calma e apaixonada, faz reacender a vontade de viajar por aí.

Como criar tarefas recorrentes no Trello usando o IFTTT

Atualização: pelo que vi, o Trello agora possui agora cartões recorrentes com o power-up Trello Card Repeater.

IFTTT tem me ajudado muito na empreitada de automatizar besteiras. Como andei percebendo que repito diária e mensalmente as mesmas tarefas, decidi ser um pouco mais vagabundo.

Para assuntos gerais de trabalho, eu acabo usando o Trello. O lance é que, muitas vezes, temos tarefas que se repetem todos os meses; emitir uma nota para um cliente, por exemplo. Como o Trello não nos dá esse suporte, nada melhor do que integrá-lo com o IFTTT.

Esta receita permite criar um card recorrente dentro do Trello. Basta definir a data, o horário, preencher o email do seu board (você vai encontrá-lo em Menu > Email-to-board Settings) e o assunto do email que, neste caso, se tornará o título do seu cartão. Não obrigatório, o corpo do email, caso preenchido, virará a descrição do card. Há algumas outras opções de personalização desse email, como labels, anexos e até mesmo menções a outros usuários.

IFTTT Recipe: Add a recurring card to Trello by email connects date-time to gmail//ifttt.com/assets/embed_recipe.js

 

Cibermundo: a política do pior

Não conhecia Paul Virilio, mas me interessei pela leitura quando soube de sua fama negativa e crítica com relação aos avanços das tecnologias de informação. Não sabia que o formato do livro seria um bate-bola com o jornalista Phillipe Petit, então senti falta de um maior trabalho em cima do tema. Além disso, não estando habituado com teóricos culturais – principalmente aqueles lidos em português de Portugal, me perdi um pouco entre um e outro pensamento.

No entanto, uma passagem me chamou a atenção, especialmente em um livro que foi publicado no final dos anos 90 baseado, pelo que pesquisei, em uma conversa ocorrida em 1996. Ele desenvolve a ideia de que grandes descobertas tem, em seu interior, um potencial negativo de mesmo tamanho de sua positividade. Aqui, ele cita a internet como uma tecnologia que, pelo visto, ainda está pra enfrentar um iminente desastre:

A Internet tem sua própria negatividade. Mas o desenvolvimento das tecnologias não se pode fazer senão através da análise e da ultrapassagem destes acidentes. Quando foram lançadas as ferrovias, o tráfego era mal regulado e os acidentes multiplicavam-se. Os engenheiros reuniram-se em Bruxelas em 1880 e criaram o famoso bloco-sistema. O naufrágio do Titanic oferece-nos um exemplo semelhante. Após essa tragédia, desenvolve-se o SOS.

(…)

Ora, hoje, as novas tecnologias, como a Internet, saíram da revolução das transmissões. Elas provocam acidentes imateriais que são infinitamente menos percebidos.

(…)

Nós aplicamos a velocidade limite da luz às mensagens, à interatividade e ao trabalho à distância. Doravante, estamos a gerar um acidente da mesma natureza. É um acontecimento considerável que necessitaria, pelo menos, de uma crítica.

Preciso comer mais arroz e feijão pra acompanhar as viagens dessa galera. Ou, quem sabe, ler mais um ou dois livros de Virilio.

IFTTT: Enviando suas atividades do Trello para o iDoneThis

Esta receita do IFTTT copia atividades realizadas dentro Trello para o iDoneThis. Antes de ativá-la, é necessário gerar um RSS personalizado (é possível escolher, inclusive, as atividades e boards) já que a ferramenta ainda não possui um gerador de feeds.

Feito isso, basta trocar o Feed URL (que, por padrão, aponta para o repositório do gerador de feeds) para o endereço gerado e pronto.

IFTTT Recipe: Send my Trello activity to iDoneThis connects feed to gmail//ifttt.com/assets/embed_recipe.js

Sobre o livro “Gabinete Digital: análise de uma experiência”

18718971Criado em maio de 2011, o Gabinete Digital é um canal de participação e diálogo entre a sociedade civil e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Ligado à Secretaria-Geral de Governo, busca permitir que os cidadãos influenciem na gestão pública e exerçam maior controle social sobre o Estado através de mecanismos inovadores relacionados às novas tecnologias de informação e comunicação.

Confesso que fui levemente enganado pelo título. A princípio, acreditei que o livro seria, de fato, uma análise sobre o Gabinete Digital: como foi pensado, organizado, desenvolvido e aberto para o público, seus erros, acertos e os futuros passos dentro da experiência. No entanto, os diversos artigos presentes na publicação tratam não só do GD – e os que tratam o fazem de uma forma pouco específica –, mas também dos assuntos em que o Gabinete está inserido, como a democracia digital e as formas de participação pública na Internet. É importante contextualizar, mas a falta de uma amarra entre os capítulos (ainda que artigos distintos) e a ausência de uma análise mais profunda sobre o GD em si podem frustrar um pouco aqueles que gostariam de usar a experiência do Rio Grande do Sul como base para novos projetos.

Como o GD tem como prática a fidelidade ao conhecimento livre e compartilhado, deixo a sugestão de que o livro, assim como já ocorreu com os códigos desenvolvidos para o portal, também seja disponibilizado em forma crua (é possível fazer o download gratuito do livro). Há uma série de pequenos erros de digitação e revisão que poderiam ser totalmente solucionados de forma colaborativa.