1967: Uma foto histórica na casa de Vinicius de Moraes

Em agosto de 1967, Vinicius de Moraes reuniu em sua casa músicos da MPB para planejar uma campanha de valorização e resgate das marchinhas de carnaval. Coube ao fotógrafo Paulo Scheuenstuhl registrar o encontro que contou com feras como Tom Jobim, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Edu Lobo, Dorival Caymmi e Chico Buarque:

Mais informações, incluindo uma lista com todos os nomes, no site do Instituto Antonio Carlos Jobim.

Santos Dumont, João Gilberto e Rio de Janeiro

Decolar e pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, é tão lindo que transformei uma gravação de quase 14 minutos, feita com meu celular, neste pequeno vídeo. Na trilha, Vivo sonhando, a música de Tom Jobim que fecha o disco Getz/Gilberto, de 1964. 🖤

A alma encantadora das ruas

A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas.

João do Rio, como ficou conhecido João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, foi um escritor brasileiro conhecido pelos contos, concentrados nos primeiros anos de 1900, que tratavam da sociedade e, especialmente, do Rio de Janeiro e seus cidadãos.

Em A alma encantadora das ruas, o autor extrai do Rio de Janeiro do início do século XX aquilo que representa o seu cerne: a rua e seus personagens. O autor a glorifica e descreve esse universo – mercadores a gritar, pintores e estivadores, vagabundos e ladrões, os chineses e seu ópio, prostitutas e pedintes –  de uma forma tão atual que, não fossem os parágrafos rebuscados, seria possível imaginar seus textos sendo escritos dias atrás.

É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da multidão, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes.

O flâneur é o bonhomme possuidor de uma alma igualitária e risonha, falando aos notáveis e aos humildes com doçura, porque de ambos conhece a face misteriosa e cada vez mais se convence da inutilidade da cólera e da necessidade do perdão.

Eu fui um pouco esse tipo complexo, e, talvez por isso, cada rua é para mim um ser vivo e imóvel.