Dias Gomes: ditadura, subversão e pornografia

Após ter a peça liberada pela ditadura, Dias Gomes descobre que O berço do herói não entraria em cartaz por uma proibição explícita do governador da Guanabara, Carlos Lacerda. De acordo com Lacerda, a peça que serviu de base para Roque Santeiro era pornográfica e subversiva.

Dias depois do fato, uma nota do secretário de Segurança, coronel Gustavo Borges, foi publicada em um dos jornais da época. Dos seis tópicos que compões a justificativa para a proibição, destaca-se quão atual o segundo deles se mantém:

Pretendem, pois, autor [Dias Gomes] e empresário, usar a polícia como fato de propaganda gratuita nos jornais, induzidos sutilmente a publicarem a notícia pré-fabricada de interdição de uma pseudo-obra de arte visando a demonstrar que o “terrorismo intelectual” vem sendo aplicado pelas autoridades responsáveis pela ordem pública e pela preservação dos bons costumes. A verdade, porém, é estarem esses senhores engajados na implantação de uma “ditadura cultural”, através do abuso de liberdade democrática […]

E abaixo, uma entrevista com o autor no programa Roda Viva, em junho de 1995:

Stoner, de John Williams

“Em seu quadragésimo terceiro ano, William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens que ele, haviam aprendido antes dele: que a pessoa a quem se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim, mas sim um processo através do qual uma pessoa experimenta conhecer outra.”

Stoner
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