Febre de bola

Em Fever Pitch (Febre de bola), Nick Hornby exalta não somente o seu amor pelo Arsenal, mas também pelo futebol como um todo. E é a passagem abaixo, já no finalzinho do livro, que talvez explique um pouco da emoção que esse esporte consegue prover:

None of the moments that people describe as the best in their lives seem analogous to me. Childbirth must be extraordinarily moving, but it doesn’t really have the crucial surprise element, and in any case lasts too long; the fulfillment of personal ambition — promotions, awards, what have you — doesn’t have the last-minute time factor, nor the element of powerlessness that I felt that night. And what else is there that can possibly provide suddenness? A huge pools win, maybe, but the gaining of large sums of money affects a different part of the psyche altogether, and has none of the communal ecstasy of football.

There is then, literally, nothing to describe it. I have exhausted all the available options. I can recall nothing else that I have coveted for two decades (what else is there that can reasonably be coveted for that long?), nor can I recall anything else that I have desired as both man and boy. So please, be tolerant of those who describe a sporting moment as their best ever. We do not lack imagination, nor have we had sad and barren lives; it is just that real life is paler, duller, and contains less potential for unexpected delirium.

E na tradução de Christian Schwartz, na edição da Companhia das Letras:

Nada do que as pessoas descrevem como os melhores momentos da vida me parece comparável. O nascimento de uma criança deve ser extraordinariamente emocionante, mas não tem, na verdade, o elemento surpresa, tão crucial, e de qualquer maneira dura tempo demais; atingir um objetivo pessoal — uma promoção, um prêmio, seja lá o que for — não acontece no último minuto, nem carrega a sensação de impotência que eu tinha naquela noite. E que outra coisa existe por aí que seja tão repentina? Acertar o prêmio acumulado na loteria, talvez, mas ganhar uma bolada em dinheiro mexe com uma parte totalmente diferente da psique, e falta, nesse caso, o êxtase coletivo do futebol.

Não há nada, portanto, capaz de descrever como é. Exauri todas as possibilidades. Não consigo lembrar mais nada que eu tenha cobiçado por duas décadas (que outra coisa alguém cobiçaria por tanto tempo?), tampouco algo mais que eu tenha desejado tanto em criança como na idade adulta. Então, por favor, sejam tolerantes com aqueles que reputam um momento esportivo como o melhor da vida. Não é que nos falte imaginação, nem que nossas vidas tenham sido tristes e improdutivas; é só que a vida real tem menos cor, é mais chata e contém potencial menor pra um delírio inesperado.

Aproveitando, mas que juiz pau no cu que é esse Michael Oliver.

O ano é 2018, mas o comprometimento é do ano passado: as descobertas musicais de 2017

Pra comemorar um ano tão estranho que até o Foo Fighters lançou disco bom, segue mais uma lista com belas descobertas feitas no último movimento de translação terrestre completo. Agradeço mais uma vez ao Spotify, aos meus amigos e amigas de gosto musica refinado e, claro, ao Shazam, que me salva sempre que preciso.

25 anos de 1992 🎵

Vídeos com estética duvidosa, Sharon Stone, Máquina Mortífera 3 e Bon Jovi de cabelo curto: bem-vindos e bem-vindas ao ano de 1992.

São mais de 40 músicas, hoje completando um quarto de século, distribuídas em três horas de som. Para cada música potencialmente boa que deixei de fora, me comprometi a adicionar algum lixo que eu adoro. De nada.

Ah, 1992 também foi o ano que o Ozzy prometeu nunca mais entrar em turnê.

Para compartilhar #2

O single de Come as You Are lançado pela Folha gratuitamente

Em 1992, o jornal Folha de S.Paulo presenteou os seus assinantes com um disco de uma banda até então desconhecida. Num domingo daquele ano, os fiéis leitores receberam junto com a edição do diário um vinil de um tal de Nirvana. E, veja bem, não era o Nevermind, disco lançado em setembro do ano anterior, que já estava bombando na gringa. Era “Come As You Are”, segundo single daquele álbum. O presentinho foi feito em vinil. EM VINIL.

Baita reportagem da Vice sobre uma história que nem eu, viciado da porra, sabia sobre a banda.

Neutralidade da rede garantida no Brasil?

De acordo com o NIC.br, o fim da neutralidade da rede nos Estados Unidos não deve gerar consequências ao Brasil. Resta garantir que o Marco Civil se mantenha de pé mesmo com tentativas de flexibilização sendo propostas pelas teles.

Para mais informações, recomendo também o site Direitos na Rede.

Quanto ganha um magistrado?

Um rapaz muito bacana extraiu os contracheques de todos os magistrados disponíveis no site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e gerou um arquivo CSV que mostra que algun dos salários chegam a mais de R$ 100 mil.

Oswaldo Oliveira entregou a experiência

A gente recebe a vida e entrega a experiência. Essa que é a nossa relação com o universo.

E a gente vem programado pra viver uma experiência que vai gerar uma entrega pro universo única. Que só a gente, por ser único, vai ter aquela experiência de vida.

É meio como se o universo falasse assim: “Olha, tamo precisando de você. Você precisa ir lá pra, com essa configuração, viver tal coisa e incorporar esse aprendizado em nós”. O universo aprende através da gente.

A hora que você você tá deconexo disso, você tá desconexo do universo.

Conheci o Oswaldo através de uma oficina que ele deu em Curitiba, e compartilhei um pouco sobre o que aprendi com ele em dois momentos. As palavras e os conceitos às vezes demoram pra fazer sentido, tamanha a abstração necessária, mas espero que os textos ajudem a entender um pouco da ideia por trás desse empreender-se em rede:

Oswaldo, que faleceu há poucos dias, foi uma grande inspiração para diversas pessoas e projetos. Foi embora, mas entregou sua experiênca. E como ele disse em outra oportunidade, “e assim a vida segue, tendo como única constante a transformação”.

Para compartilhar, parte 1

Sharing is caring, na falta de uma boa tradução para o português. É importante que conteúdo de qualidade circule do lado de fora desse condomínio chamado Facebook.


Liberais além da economia

Joel Pinheiro da Fonseca é um economista e filósofo liberal que, diferente dos outros que se rotulam assim (alô, MBL), faz neste vídeo comentários esclarecedores sobre o que é ser liberal além do espectro econômico. O seu canal no YouTube também está recheado de conteúdos interessantes sobre o cenário político atual.

Cota parlamentar

A galera da Operação Serenata de Amor explica, neste texto, um pouco mais sobre a cota parlamentar, por que ela é necessária e, o mais importante, por que ela precisa ser fiscalizada de perto a fim de evitar o mau uso do dinheiro público.

Uma reportagem do Fantástico explicou como a Serenata de Amor funciona. E se você se interessa por código, não deixe de visitar o repositório do grupo no GitHub.

Vida e obra de mim mesmo

Há amigos que dizem que nada melhor para um humorista do que viver em uma época ridícula. Eu penso o contrário. Nada pior do que ter a competição com a realidade. É impossível competir quando há uma eleição para presidente em que uma das opções pode ser o Doctor Rey.

O Almanaque Brasil entrevistou Ricardo Coimbra, cartunista e ser negativo, sobre política, influências e sua facilidade em passar pro papel os piores lados da esquerda e da direita.

Por sinal, o site do Almanaque Brasil, feito com o WordPress.com, foi uma boa descoberta!

Kurt Cobain e Dave Grohl em pequeno show acústico

Que coisa maravilhosa. O vídeo original foi derrubado, mas já está disponível em alguns outros links.

Antigos direitos no Brasil atual

Em seu livro O povo brasileiro, Darcy Ribeiro explica sobre a criação de nosso país, nosso processo sociocultural e como os mais variados brasileiros, do caboclo ao sertanejo, ainda dão forma ao povo que vive aqui.

Ribeiro também faz questão de exemplificar, em diversos momentos, como ações tomadas séculos atrás ainda repercutem negativamente em nossa sociedade. E principalmente, como aquilo que antigamente víamos como “direito” segue sendo clamado como tal até hoje.


José Honório Rodrigues cita uma quadra, cantada em 1823 pelos insurgentes de Pernambuco, que opunha os marinheiros (reinóis) e caiados (brancos) aos pardos e pretos:

Marinheiros e caiados
Todos devem se acabar
Porque os pardos e pretos
O país hão de habitar

O país já habitavam; sua aspiração era mandar. Era refazer a ordenação social segundo seu próprio projeto. É fácil imaginar e está bem documentado o pavor pânico provocado por essas expressões de insurgência dos pretos e dos pardos, ensejadas por sua participação nas lutas políticas. As classes dominantes viam nela a ameaça iminente de uma “guerra de castas” violenta e terrível pelo ódio secularmente contido que faria explodir na forma de convulsões sociais sangrentas.

E, a seus olhos, tão mais terrível porque qualquer debate ou redefinição da ordem vigente conduziria, fatalmente, a colocar em questão as duas constrições fundamentais: a propriedade fundiária e a escravidão.


O Facebook te entende: Usain Bolt me oferecendo Advil

Uma recente matéria do Tecnoblog traz mais uma vez algum bacanão do Facebook dizendo que a rede social não fica bisbilhotando a sua vida, e que toda a propaganda que você julga direcionada não passa de teoria da conspiração ou, em menor escala, um alinhamento oportuno dos astros.

Lembrei então que tinha feito uns prints da primeira vez que a rede social mais arrombada do mundo resolveu me recomendar, durante um papo com o meu pai entre um e outro jogo de futebol na TV, um produto que poderia acabar com as minhas dores pós-exercício:

Pois é.

Meu pai, após falar Advil umas quinze vezes na frente do meu telefone, aparentemente invocou o Usain Bolt e o seu medicamento número um.

Como tudo é aprendizado, amigos e amigas, se você estiverem com dor de cabeça, dor nas costas, dor muscular, cólica menstrual ou gripe, saibam que esse é o remédio ideal. E que o Facebook, claro, não usa seu microfone para direcionar anúncios.

Eu nunca tinha usado a palavra Advil na minha vida, porra.

Not dead and not for sale

Na época de Core, o primeiro disco do Stone Temple Pilots, Scott Weiland foi tido como uma versão meia-bomba do Eddie Vedder. A real é que tanto Weiland quanto a banda sempre foram mais versáteis que uns quinze Pearl Jam combinados. As composições fora de série dos irmãos DeLeo ficavam ainda mais maravilhosas sob o comando de um vocalista tão versátil e carismático.

Scott Weiland faria hoje 50 anos. Um dos maiores frontmen que já tive a felicidade de ver ao vivo, e mais um que merece todas as reverências possíveis.