Dias Gomes: ditadura, subversão e pornografia

Após ter a peça liberada pela ditadura, Dias Gomes descobre que O berço do herói não entraria em cartaz por uma proibição explícita do governador da Guanabara, Carlos Lacerda. De acordo com Lacerda, a peça que serviu de base para Roque Santeiro era pornográfica e subversiva.

Dias depois do fato, uma nota do secretário de Segurança, coronel Gustavo Borges, foi publicada em um dos jornais da época. Dos seis tópicos que compões a justificativa para a proibição, destaca-se quão atual o segundo deles se mantém:

Pretendem, pois, autor [Dias Gomes] e empresário, usar a polícia como fato de propaganda gratuita nos jornais, induzidos sutilmente a publicarem a notícia pré-fabricada de interdição de uma pseudo-obra de arte visando a demonstrar que o “terrorismo intelectual” vem sendo aplicado pelas autoridades responsáveis pela ordem pública e pela preservação dos bons costumes. A verdade, porém, é estarem esses senhores engajados na implantação de uma “ditadura cultural”, através do abuso de liberdade democrática […]

E abaixo, uma entrevista com o autor no programa Roda Viva, em junho de 1995:

1967: Uma foto histórica na casa de Vinicius de Moraes

Em agosto de 1967, Vinicius de Moraes reuniu em sua casa músicos da MPB para planejar uma campanha de valorização e resgate das marchinhas de carnaval. Coube ao fotógrafo Paulo Scheuenstuhl registrar o encontro que contou com feras como Tom Jobim, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Edu Lobo, Dorival Caymmi e Chico Buarque:

Mais informações, incluindo uma lista com todos os nomes, no site do Instituto Antonio Carlos Jobim.

Santos Dumont, João Gilberto e Rio de Janeiro

Decolar e pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, é tão lindo que transformei uma gravação de quase 14 minutos, feita com meu celular, neste pequeno vídeo. Na trilha, Vivo sonhando, a música de Tom Jobim que fecha o disco Getz/Gilberto, de 1964. 🖤

Stoner, de John Williams

“Em seu quadragésimo terceiro ano, William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens que ele, haviam aprendido antes dele: que a pessoa a quem se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim, mas sim um processo através do qual uma pessoa experimenta conhecer outra.”

Stoner
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Praia boa é praia rica

Marca de regata, aquela senhora toda rosada. Gente de bermuda e camiseta na água. Espetinho de camarão e salgado suspeito. Um ou outro arrombado com música alta. Vira-lata correndo na areia, bóia e colchão inflável no mar. Criança perdida e senhores de 70 anos pegando jacaré. É aqui que mora a brasilidade.

Jurerê Internacional, Leblon e a Praia Brava de Camboriú provam que a relação é diretamente proporcional: quanto mais gente sarada e bonita tiver uma praia, mais cafona e monotemática ela é.

Praia boa é praia com a fauna rica, praia com jeito de Mata Atlântica. O resto é colônia de férias de estudande de faculdade particular.