O processo de design

Os designers enfrentam uma dura tarefa. São subordinados aos clientes e pode ser difícil descobrir quem são os verdadeiros usuários. Por vezes eles são até proibidos de entrar em contato com os usuários, por temor de que possam acidentalmente revelar os planos das companhias para novos produtos ou equivocadamente levar os usuários a acreditar que novos produtos estão prestes a ser desenvolvidos. O processo de design é prisioneiro da burocracia corporativa, e cada estágio no processo acrescenta sua própria avaliação e dita as mudanças que crê essenciais para seus interesses. O design quase certamente é alterado quando sai das mãos dos designers e segue adiante, passando pela fabricação e marketing. Todos os participantes são bem-intencionados, e seus problemas e interesses particulares são legítimos. Contudo todos os fatores deveriam ser levados em conta simultaneamente, e não submetidos aos acidentes de sequência de tempo ou às realidades de hierarquia e influência corporativa.

Donald Norman, em O Design do dia-a-dia

Seu cliente precisa ouvir mais nãos

We once received a call from a gentlemen who said, “[redacted] referred me to you. He said that you wouldn’t be shy about telling me I was wrong, you’d probably piss me off, and that I should listen to everything you said because it would work.”

I was delighted.

That said, you should aim to be pleasant to work with, as everyone would rather work with someone pleasant than with an asshole. But no one wants to work with someone who’s faking it. Doing good work often requires a few hard conversations.

There’s a difference between being enjoyable to work with and being “nice.” Being nice means worrying about keeping up the appearance of harmony at the expense of being straightforward and fully engaged. Sometimes you need to tell a client they’re making the wrong call. Part of client services is being able to do that without coming off as a dick. But being afraid to do it because you’re too invested in being “nice” is worse than being a dick.

Este é um pequeno trecho do pequeno trecho do livro Design is a Job, de Mike Monteiro, apresentado no A List Apart. O tema, no entanto, é bem mais abrangente, e trata da não tão trivial tarefa de conseguir clientes. Vale o passeio.

Me interessei bastante por esta parte do texto porque me parece que tal situação ocorre demais. Assim, demais mesmo. Clientes, de uma forma geral, tendem a te tratar como funcionário. São como uma criança mimada, acostumada a ter tudo como quer e quando quer. Afinal, você foi contratado, né, eles estão pagando em dia, pagando bem, e isso justifica todo e qualquer pedido absurdo. Pois bem, dane-se. Pagar corretamente é um preceito, abaixar a cabeça não. Não seja bonzinho. Você está sendo pago para propor uma solução, não para fazer as vontades de dois ou três. Se alguém te contratou para fazer um serviço, esse serviço deveria incluir dizer “amigo, você está defecando pela boca” sempre que necessário.

Os clientes que entendem isso são os melhores com quem você irá trabalhar.