Recentemente, a nova vice-presidente de recursos humanos da Vale, Catia Porto, compartilhou suas impressões no Instagram sobre produtividade, iniciativas de DEI (diversidade, equidade e inclusão) e a substituição do trabalho remoto retorno ao trabalho presencial. De forma um pouco desconexa e talvez até imprudente, assuntos foram misturados a ponto dela ter que se retratar no LinkedIn. Por algum motivo, o perfil de Catia encontra-se indisponível, mas posso confirmar: a explicação não convenceu muito.
Por causa do trabalho, tenho acessado mais o LinkedIn, e um dos grandes assuntos do último ano na rede social é a discussão sobre o #ReturnToOffice (retorno ao escritório, em tradução livre), ou RTO, e por que algumas grandes empresas estão voltando ao trabalho presencial. Os motivos são inúmeros, mas muitos deles desembocam num pensamento muito específico: as pessoas não estão preparadas para o teletrabalho. O mistério é saber se as empresas se prepararam para isso.
Não estou aqui pra discutir que modelo é melhor pra essa ou aquela empresa, ou por que o trabalho remoto pode não ter funcionado em casos específicos, mas uso desta oportunidade pra compartilhar alguns livros que me ajudaram a moldar a relação que tenho com o trabalho remoto e distribuído. Na lista, não há nenhum livro prático, mas considero todos interessantes para uma reflexão mais aprofundada sobre trabalho, controle, produtividade e, claro, microgerenciamento.
São eles:

O grande negócio é ser pequeno
Ernst Friedrich Schumacher
Lançado nos anos 70 com o subtítulo Estudos sobre uma economia em que as pessoas são importantes, o livro de E.F. Schumacher propõe um modelo sustentável e descentralizado em contrapartida ao crescimento econômico desenfreado. Recomendado a mim pelo agora colega Leo Germani, é um livro cativante que trata de sistemas de trabalho menores e mais humanos, alternativas equilibradas e eficientes, e de como a tecnologia muitas vezes substitui o trabalho prazeroso em vez dos serviços sacais. Mantem-se atual, especialmente com o mundo envolvido na promessa de que a inteligência artificial irá melhorar nossas vidas.
A sabedoria da insegurança
Alan Watts
Muitas empresas e chefes resistem ao trabalho remoto usando a bandeira da falta de produtividade. Eu, sinceramente, acredito que é preciso aprender a confiar e, por consequência, abrir mão da ilusão de controle absoluto. A sabedoria da inseguranca não trata de trabalho remoto, mas aborda um de seus mais importantes pilares: como a incerteza e insegurança geram justamente o contrário do que queremos, além de sufocarem a autonomia, a criatividade e a motivação das pessoas.


O ócio criativo
Nesse livro-entrevista, Domenico De Masi defende que o equilíbrio entre trabalho, estudo e lazer é fundamental para a criatividade e, consequentemente, a inovação. Para o autor, o ócio não é somente prioritário, mas também uma forma de enriquecimento mental e emocional capaz de gerar novas ideias e soluções. Não bastasse isso, De Masi ainda propõe e antevê muitas ideias atuais, como o nomadismo digital, o trabalho remoto, e até mesmo a redução da jornada. Isso tudo em 1995.
Como escrever bem
William Zinsser
On Writing Well no original, o clássico livro de William Zinsser foca na escrita não ficcional e defende que transmitir ideias é uma arte que requer escrita simples, clara e bem estruturada. Apesar de lançado nos anos 70, os princípios de Como escrever bem seguem muitos úteis para melhorar a comunicação, talvez o maior ponto fraco de toda empresa que trabalhou ou trabalha em um ambiente remoto ou híbrido.


Rework
Jason Fried, David Heinemeier Hansson
Nesse curto livro, os donos da 37Signals questionam a mentalidade tradicional de negócios e propõe um modelo mais práticas e flexível. Em um tom de manifesto, os autores usam os exemplos da sua própria empresa pra mostrar como equipes podem ser enxutas e ainda altamente produtivas se focadas nas coisas que importam. Rework é um livro pragmático e direto que, apesar de conservar suas ideias frescas, talvez perca um pouco do efeito graças ao tom extremamente incisivo de algumas recomendações. Imagino que ao ser combinado com It Doesn’t Have to Be Crazy at Work, que ainda não li, ofereça um panorama mais abrangente.
Remote
Jason Fried, David Heinemeier Hansson
Os mesmos donos da 37Signals, agora neste livro, argumentam que o trabalho remoto não só é viável, mas pode ser mais produtivo e saudável do que o modelo tradicional de escritório. Para as pessoas já iniciadas no trabalho remoto, talvez o livro seja puro viés de confirmação; para o outro grupo, quem sabe muito provocativo ou puramente binário. No entanto, ele se mantém com uma introdução para pessoas que ainda não tem total certeza se o teletrabalho funcionaria dentro da sua vida ou empresa. Vale dizer que Remote foi lançado em 2013 e, além de apresentar algumas questões datadas, não explora de forma profunda os conceitos práticos.

Tem alguma sugestão de livro pra essa lista? Fique à vontade pra comentar abaixo e compartilhar por que sua sugestão foi importante pra você.
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