Sabedoria radical, por Ricardo Semler

Na manhã de hoje, parei pra ler o jornal e uma coluna me chamou a atenção. Ela, resumidamente, encorajava o leitor, frente a uma discussão política dentro das redes sociais, a ser adulto: analisar fatos, discutir novas ideias e praticar a empatia. Isso, de acordo com o colunista, elevaria o nível do debate e contribuiria e muito para a criação de um ambiente mais sadio ou, no mínimo, menos nocivo.

Ao abrir, dias atrás, um texto com o título “Se você responde emails após o trabalho, você deveria ter férias ilimitadas” (em inglês), percebi que Ricardo Semler pensou algo assim para a Semco, sua empresa. Tudo lá é tratado como uma relação de adultos para adultos, onde cada um lava a sua louça e fortalece os laços para que o grupo todo esteja em uníssono.

“Todos nós aprendemos a acessar nosso email num domingo à noite e trabalhar de casa. Mas poucos de nós aprenderam a ir ao cinema segunda-feira à tarde.”

Percebi então que esse nome, Ricardo Semler, não me era estranho. Ricardo escreveu, em 2014, sua visão de que nunca se havia roubado tão pouco no país. Na época, o título me chamou a atenção, porém não tanto quanto as chamadas que o acompanhavam, todas com claras inclinações à esquerda: “vejam só um tucano falando de algumas benfeitorias do governo atual”. Tirando o jogo partidário infantil que é gerado por textos assim, a súplica do texto é a mesma do colunista do primeiro parágrafo: por favor, sejamos adultos.

Na conversa abaixo, Ricardo explica como, 30 anos atrás, a Semco começou a mudar a forma de tratar a própria companhia e seus funcionários –  gerenciamento horizontal, transparência pesada, férias e salários definidos pelas próprias pessoas, entre outras tantas coisas legais – e como essa experiência gerou a escola Lumiar, o seu ideal de educação para o fututo. Ele aproveita também para comentar sobre sabedoria e controle, princípios também abordados por Alan Watts em seu livro “A sabedoria da insegurança” (The Wisdom of Insecurity: A Message for an Age of Anxiety, no original). Nele, Watts explica como a nossa necessidade por segurança e controle é o que causa, ironicamente, a sensação de que estamos inseguros. E parece que Ricardo compartilha essa admirável visão.

https://embed-ssl.ted.com/talks/ricardo_semler_radical_wisdom_for_a_company_a_school_a_life.html

OS X 10.10 Yosemite Local Development Environment: Apache, PHP, and MySQL with Homebrew

Se você está fugindo do MAMP para usar esta solução com o Homebrew, aproveite para copiar seus bancos antigos (o MAMP os salva em /Applications/MAMP/db/mysql) para /usr/local/var/mysql, o diretório padrão usado a partir de agora.

No terminal, digite:

$ cp -vR /Applications/MAMP/db/mysql/* /usr/local/var/mysql/

Após isso, basta reiniciar o MySQL:

$ brew services restart mysql

Auto-sabotagem

É normal esperar que nós sempre iremos, quase que instintivamente, procurar a nossa própria felicidade; especialmente em duas grandes áreas de potencial satisfação: relacionamentos e carreira.

Então, é estranho e um tanto quanto desanimador descobrir quão frequente alguns de nós parecemos agir como se estivéssemos deliberadamente tentando arruinar as nossas chances de termos o que nós achamos que queremos.

Quando vamos a encontros com candidatos e candidatas por quem nos interessamos, podemos subitamente cair em um desnecessário comportamento de teimosia ou de oposição.

Não temos dificuldade em usar nosso charme com pessoas em quem não estamos tão interessadas assim. Ou, em relacionamentos, podemos desorientar nossos parceiros através de repetidas e infundadas acusações ou ataques de raiva como se quiséssemos, de alguma forma, entristecer nosso dia quando, exaustos e frustrados, as pessoas de quem gostamos são forçadas a sair de perto, ainda complacentes, mas incapazes de aguentar tanto drama.

Da mesma forma, poderíamos destruir nossas chances de promoção no trabalho quando, de repente, depois de muitos anos promissores, ficamos ásperos com os nossos gerentes e, em várias ocasiões, deixamos de entregar relatórios a tempo para as reuniões.

Tal comportamento não pode ser explicado como simplesmente falta de sorte. Merece um termo mais forte, intencional. Isto é a auto-sabotagem.

O que poderia explicar tal comportamento destrutivo? Em grande parte, quão enervante a felicidade pode nos parecer? Apesar da felicidade ser, claro, aquilo que nós essencialmente queremos, para muitos de nós isso não é conhecido.

Nós crescemos e aprendemos a fazer as pazes com situações muito mais tenebrosas. A perspectiva de felicidade, quando aparece, pode parecer um pouco fora de juízo e bastante assustadora. Não é o que esperamos e não nos faz sentir em casa. Nós podemos acabar escolhendo aquilo que é confortavelmente familiar, mesmo que seja difícil, em vez do que é bom e gratificante. Conseguir o que queremos pode parecer insuportavelmente arriscado. Isso nos coloca à mercê do destino. Nós nos abrimos para a esperança e para a subsequente possibilidade de perda. A auto-sabotagem pode nos deixar tristes, porém segura e felizmente em controle.

Pode ser útil manter o conceito de auto-sabotagem em mente ao interpretar comportamentos esquisitos em nós e nos outros.

Devemos suspeitar quando nos pegamos tendo atuações instáveis perto de pessoas das quais gostamos ou precisamos impressionar.

Além disso, diante da maldade e da falta de confiança alheios, ousemos imaginar que, talvez, as coisas não sejam o que parecem. Quem sabe, nós acabamos encontrando não um desagradável e nocivo oponente, mas um auto-sabotador ferido, que merece um pouco de paciência e deve ser gentilmente estimulado a parar de se fazer mal. Nós devemos nos familiarizar com esta questão e ajudar os outros a ver quão difícil e desanimador pode ser, às vezes, estar perto das coisas que realmente desejamos.


Traduzido com base na transcrição desta maravilhosa pessoa.

Como usar o ícone do site como logo no formulário de login do WordPress

Caso você já tenha cadastrado um Ícone do siteSite Icon em sua instalação do WordPress (a opção está presente a partir da versão 4.3), é possível transportar a imagem para a sua página de login. Para isso, adicione o código abaixo ao seu arquivo functions.php:

 

Meus sinceros agradecimentos ao Hipster Logo Generator pelas ferramentas que me permitiram fazer tamanha obra de arte.


Veja também

 

O processo de design

Os designers enfrentam uma dura tarefa. São subordinados aos clientes e pode ser difícil descobrir quem são os verdadeiros usuários. Por vezes eles são até proibidos de entrar em contato com os usuários, por temor de que possam acidentalmente revelar os planos das companhias para novos produtos ou equivocadamente levar os usuários a acreditar que novos produtos estão prestes a ser desenvolvidos. O processo de design é prisioneiro da burocracia corporativa, e cada estágio no processo acrescenta sua própria avaliação e dita as mudanças que crê essenciais para seus interesses. O design quase certamente é alterado quando sai das mãos dos designers e segue adiante, passando pela fabricação e marketing. Todos os participantes são bem-intencionados, e seus problemas e interesses particulares são legítimos. Contudo todos os fatores deveriam ser levados em conta simultaneamente, e não submetidos aos acidentes de sequência de tempo ou às realidades de hierarquia e influência corporativa.

Donald Norman, em O Design do dia-a-dia

Criando colunas condicionais de widgets com o Foundation

Widgets podem ser incômodos quando devem funcionar como colunas de informação. Pense em um rodapé que, por sua escolha, acomode também uma área de widgets. Você pode definir que o seu rodapé tratará 4 widgets em colunas, declarando cada um deles com 25% do tamanho total da sua área. Basta que ninguém adicione um quinto elemento ou, pior, remova um desses widgets, deixando aquela irregularidade desgraçada na tela. Você pode também usar uma biblioteca como o Masonry (o tema Twenty Thirteen usava ela, não?), mas será que seria necessário? Obviamente, existem formas mais suaves de se fazer isso.

Resolvi abordar o Foundation aqui pela oportunidade atual. Pretendo porém, num próximo artigo, mostrar como é possível fazer esses condicionais sem depender de um framework como ele ou o Bootstrap.

Basicamente, o que a solução faz é adicionar classes específicas aos widgets (usando a global $wp_registered_widgets) que atendam a determinadas condições. Ao contar o número de widgets em uma sidebar – que chamo aqui de widget areas –, adicionamos uma série de outras classes que irão controlar o posicionamento dos widgets. A única exceção fica por conta da minha única sidebar de verdade, chamada de sidebar-main: nela, widgets em colunas não são necessários.

Você pode até mesmo definir que, em uma certa sidebar, seus widgets fiquem com colunas de tamanhos diferentes. No meu caso, não exemplificado no gist abaixo, acabei jogando essa assimetria quando minha sidebar possuía apenas dois widgets. Assim, a primeira coluna ficou com uma largura maior (.medium-8) e a segunda preencheu o resto do grid do Foundation (.medium-4). O resultado é interessante justamente por fugir dos blocos de informação com tamanhos idênticos .

Um pequeno detalhe: esta solução irá, a princípio, gerenciar layouts em coluna quando o número de widgets na área for de no máximo seis, sem incluir o 5º. Para números maiores que seis, os widgets ficarão em sua própria linha. Isso, claro, também pode ser melhorado.

 

Talvez com os Block Grids também seja possível de fazer a brincadeira. A conferir.

Prototipação com Jekyll e Foundation: um pequeno estudo para partidos políticos


Uma ótima atualização: pelo visto, o Foundation 6 virá com essa ideia já embutida


 

Uma discussão recorrente entre mim e meus amigos é a questão da prototipação de um site. Como mostrar um wireframe que reflita o uso do site? Como que essa estrutura montada pudesse ser utilizada como começo de algo real? E, para este específico caso, como fazer isso de forma aberta?

Há inúmeras ferramentas para criação de wireframes: Axure, iPlotz, Balsamiq e, mais recentemente, plataformas robustas como Macaw, Webflow e UXPin. Tive contato com algumas, já por outras eu passei batido. Em outros momentos, tentei fazer pequenos wireframes funcionais diretamente em uma estrutura de tema do WordPress com a ajuda de algum framework como Bootstrap ou Foundation e gostei do resultado — o cliente consegue ver o site tomando forma, dos tons de cinza do wireframe à aplicação da sua identidade, isso tudo usando conteúdo de verdade. Neste caso, porém, estamos tratando de um projeto menos específico.

A idéia

Comecei a trabalhar em um tema para WordPress voltado a partidos políticos. O Podemos, partido de esquerda espanhol, está sendo usado como referência; não tanto na parte técnica (o site é feito em WordPress e usa o Avada, o tema mais vendido do ThemeForest), mas nas questões de informação, abordagem ao (e)leitor, áreas de interação, financiamento coletivo e transparência das contas. Ah, e por ser de esquerda.

Não satisfeito com as ideias de wireframes de tela, pulei para algo mais palpável, por mais estranho que seja tratar um site através desse adjetivo. O GitHub, por ser o padrão hoje para desenvolvimento e colaboração com código, foi uma escolha natural. A decisão pelo Jekyll, o gerador de sites estáticos, também segue o mesmo caminho: ele é automaticamente processado pelo GitHub dentro da branch gh-pages. Para os grids e estilo base, o escolhido foi o Foundation.

Por falta de uma ideia melhor, o projeto foi publicado sob a alcunha de PRJ. Melhor que o nome, talvez, sejam alguns dos pontos positivos:

  • Funcionalidade: o wireframe é navegável e fácil de se fazer
  • Avaliação imediata do cliente: com a publicação do wireframe diretamente na branch gh-pages, as mudanças já estão disponíveis para comentários e sugestões
  • Reuso: uma estrutura e um estilo base que poderão ser replicados no próprio tema
  • Código aberto, ideias abertas: construir colaborativamente o projeto não é um objetivo, mas parte do processo

Mas nada aparece sem alguns poréns. Ainda há muito conteúdo sendo tratado como código, verdade, e eu poderia usar o Jekyll de forma mais inteligente. Ademais, existe uma certa redundância, já que eu crio páginas e atribuo a elas o layout desejado. Isso tudo, acredito eu, é uma questão de atualização do processo.

Para amanhã

Alguns possíveis próximos passos:

  • Criar um repositório para uma base que possa ser trabalhada separadamente
  • Automatizar tarefas usando um task runner. Definir tarefas de deploy da gh-pages, por exemplo, facilitaria a atualização
  • Criar uma tarefa para substituir as tags do Jekyll pelas do WordPress. Assim, elementos como {% include header.html %}{% include header.html %}{% include header.html %} poderiam, respectivamente, se tornar <?php get_header(); ?><?php get_footer(); ?><?php get_sidebar(); ?>
  • Unir no mesmo repositório wireframe e tema, usando a branch gh-pages para manter online o protótipo

Visite o projeto PJR no GitHub.