Seu cliente precisa ouvir mais nãos

We once received a call from a gentlemen who said, “[redacted] referred me to you. He said that you wouldn’t be shy about telling me I was wrong, you’d probably piss me off, and that I should listen to everything you said because it would work.”

I was delighted.

That said, you should aim to be pleasant to work with, as everyone would rather work with someone pleasant than with an asshole. But no one wants to work with someone who’s faking it. Doing good work often requires a few hard conversations.

There’s a difference between being enjoyable to work with and being “nice.” Being nice means worrying about keeping up the appearance of harmony at the expense of being straightforward and fully engaged. Sometimes you need to tell a client they’re making the wrong call. Part of client services is being able to do that without coming off as a dick. But being afraid to do it because you’re too invested in being “nice” is worse than being a dick.

Este é um pequeno trecho do pequeno trecho do livro Design is a Job, de Mike Monteiro, apresentado no A List Apart. O tema, no entanto, é bem mais abrangente, e trata da não tão trivial tarefa de conseguir clientes. Vale o passeio.

Me interessei bastante por esta parte do texto porque me parece que tal situação ocorre demais. Assim, demais mesmo. Clientes, de uma forma geral, tendem a te tratar como funcionário. São como uma criança mimada, acostumada a ter tudo como quer e quando quer. Afinal, você foi contratado, né, eles estão pagando em dia, pagando bem, e isso justifica todo e qualquer pedido absurdo. Pois bem, dane-se. Pagar corretamente é um preceito, abaixar a cabeça não. Não seja bonzinho. Você está sendo pago para propor uma solução, não para fazer as vontades de dois ou três. Se alguém te contratou para fazer um serviço, esse serviço deveria incluir dizer “amigo, você está defecando pela boca” sempre que necessário.

Os clientes que entendem isso são os melhores com quem você irá trabalhar.

O site do seu restaurante é um lixo, sério

Curto bastante sair comer em lugares diferentes. Quando planejo ir a um inédito – atualmente, meu lugar favorito para descobertas é a página Curitiba – Baixa Gastronomia no Facebook –, sempre procuro dar uma olhada no site do restaurante ou do boteco. Às vezes você quer ligar antes, ver se é necessário reservar lugares, se eles aceitam cartões ou só quer mesmo perder um tempo vendo como é o ambiente do alvo escolhido. E é aí que começa a frustração.

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Os discos mais ouvidos em 2011, de acordo com o Last.fm

Na falta de um Réveillon mais bem planejado, comecei, sob a chuva do último dia do ano, a fazer um top 10 bem do vagabundo. Queria saber quais foram os discos que eu mais ouvi em 2011 e, como base, usei a relação do Last.fm para os ábuns mais executados nos últimos 12 meses.

Já aviso que aqui não há sequer um parágrafo emocionado; deixemos as sinestesias e demais cacoetes para os críticos musicas. É só uma lista, oras.

 

10 | The Clones of Dr. Funkenstein (1976), Parliament

Conheci o Parliament numa feira de vinil. Por 15 reais, levei o Gloryhallastoopid pra casa — disco, encarte e a assinatura “Jackson Ferreira” bem no meio da capa. Naquela época, o meu único contato com o P-Funk tinha sido através do Maggot Brain, do Funkadelic, o que foi suficiente pra me fazer comprar o disco do Parliament. E o Gloryhallastoopid me levou ao Mothership Connection, que me levou ao The Clones of Dr. Funkenstein. Ainda me arrependo de não ter visto o show do George Clinton ano passado, no festival Black na Cena.

Getten’ to Know You

 

9 | Obscured by Clouds (1972), Pink Floyd

Trilha sonora para o longa La Vallé, Obscured by Clouds foi gravado em ridículas duas semanas. Eu não consigo nem terminar um livro nesse tempo, quem dirá gravar dez músicas para um filme. Gosto bastante desse disco, e na minha pequena lista mental de melhores do Pink Floyd encaixo Obscured em uma posição bem favorável.

♫ The Gold It’s in the…

 

8 | The Creek Drank in the Cradle (2002), Iron & Wine

 Até hoje, The Creek Drank in the Cradle foi o único disco que eu ouvi desse hippie caipira chamado Samuel Beam. Gostei tanto dele que resolvi nem ouvir mais nada, só pra não perder a magia. Um disco bonito demais. Não sabia que hippies conseguiam ser tão doces.

♫ Bird Stealing Bread

 

7 | A Strange Arrangement (2009), Mayer Hawthorne

 Se tivesse ouvido Strange Arrangement no momento certo, provavelmente não teria feito o cu doce que fiz pra ir ao show da Amy Winehouse no começo de 2011, quando ele fez um dos shows de abertura. Aposto que Isaac Hayes curtiria esse disco.

The Ills

 

6 | One Nation Under a Groove (1978), Funkadelic

 Mais uma vez o senhor George Clinton me punindo. Maggot Brain foi meu disco preferido do Funkadelic só até eu descobrir este aqui, que é lindo demais. Não consigo não mexer a cabeça ouvindo a faixa-título. Não sou de ficar recomendando sons, mas One Nation Under a Groove merece todo o seu carinho, meu amigo.

One Nation Under a Groove

 

5 | Music Is My Medicine (2009), Clutchy Hopkins

Clutchy Hopkins é tipo um Banksy da música. Difícil encontrar detalhes sobre ele, exceto informações bem pertinentes como supostas viagens que Hopkins fez ao redor do mundo, de mosteiro Zen a passagens por Índia e Nigéria, para entender melhor a sua relação com a música. Enfim, mais um drogadão. Baixei Music Is My Medicine por alguma indicação, e gostaria de agradecer você, amigo desconhecido, por me apresentar este disco.

Tune Traveler

 

4 | Inspiration Information (1974), Shuggie Otis

Um dos meus álbuns favoritos nos últimos tempos. Shuggie Otis demorou quase três anos pra finalizar Inspiration Information, um disco tão bonito e tão bem arranjado que justifica um tempo de gravação extenso desses. Reza a lenda que, após o lançamento de Inspiration, Otis foi convidado para participar da próxima turnê mundial dos Rolling Stones. Ainda não decidi se o chamo de vacilão ou de sábio.

Sparkle City

 

3 | Black Sands (2010), Bonobo

Simon Green, também conhecido como Bonobo, é um músico e DJ inglês, e é isso que sei sobre o cara. Aliás, sei também que Days to Come e Dial ‘M’ for Monkey, seus discos anteriores, são muito bons, mas não tão bacanas como esse aqui. Downtempo, trip-hop, foda-se, a preguiça de encaixar Black Sands em alguma categoria é bem grande. Melhor ouvir o disco mesmo.

Eyesdown

 

2 | Brothers (2010), The Black Keys

Brothers parece ter sido o disco que afastou um pouco o Black Keys daquele som dependente do blues. Um pouco extenso, acho eu, mas um álbum muito bom, só superado pelo novo disco da banda, El Camino. Meio cedo pra dizer, mas já tou achando que esse vai facilmente entrar pra lista dos mais ouvidos em 2012.

She’s Long Gone

 

1 | The Hunter (2011), Mastodon

Único disco de 2011, The Hunter ocuparia a mesma posição se esta fosse uma lista dos melhores do ano. Saiu a punheta, entraram as novas influências (que já foram se mostrando em Crack the Skye) e a banda fez um disco tão bom, tão ajeitado que foi difícil não ouvi-lo com força. É o Black Album do Mastodon.

Stargasm

 

Uma hora de Melvins ao vivo

Tentei convencer meu amigo Pedro, que já mora fora do país há algum tempo, a desistir do Wacken, o tradicional festival alemão, e dar uma chance ao Hellfest Open Air, marcado para os dias 17 a 19 de junho, na França. Falei que o Wacken deste ano tava parecendo maratona de banda cover em bar de metal, comentário que me obrigou a retrucar as palavras grosseiras que recebi em retorno citando algumas boas apresentações que o Hellfest ofereceria, como Rob Zombie, Ozzy e Iggy Pop com os Stooges. Isso fora Down, Corrosion of Conformity, Melvins, Electric Wizard, Kyuss Lives! e outros nomes de menor importância. Então percebi que estava discutindo sobre festivais de heavy metal, que é meio como debater se é melhor engolir um pastel de Sonho de Valsa ou um crepe suíço recheado com Baton, e isso me fez pensar que o mais interessante a fazer era ficar quieto mesmo.

Espero que esses pouco mais de 60 minutos de Melvins tenham resumido bem o Hellfest. Show grosso, bruto, com dois covers de Alice Cooper (Second Coming & Ballad of Dwight Fry) e uma pequena participação de Phil Anselmo, que não ficou contente apenas em apreciar o show de bico calado e decidiu pular na bateria de Dale Crover pra mostrar que não manja bosta do instrumento.

Hung Bunny / Roman Bird Dog / The Water Glass / Evil New War God / It’s Shoved / Anaconda / Queen / Second Coming / Ballad of Dwight Fry / Sacrifice / Hooch / Honey Bucket / With Teeth / Sweet Willy Rollbar / Revolve / Night Goat

Lee Dorrian é o maior frontman da paróquia

Não chegou a ser um dilema: entre pagar 20 reais a dose de whisky em São Paulo e ter que dividir espaço com fã do André Matos em Varginha, preenchi sem dó a comanda do Manifesto Bar. Pouca gente, lugar pequeno e aquela sensação de que o bar paulista é realmente um lugar bem cagado, desses que fazem competição de melhor guitarrista valendo videoaula autografada pelo Andreas Kisser.

Mas que grande felicidade ter visto o Cathedral ao vivo.

 

White lemon days

Reza a lenda que, lá em 1995, o Pearl Jam comprou algumas horas de satélite (ou alguma parada do tipo, vai saber) para poder transmitir o que foi chamado de Self Pollution Radio, que nada mais era do que uma enorme programação de 4 horas e meia de música da mais alta qualidade. Para a empreitada, a banda resolveu chamar toda aquela maloqueirada de Seattle do final dos anos 80 / começo dos 90 pra conversar, atacar de DJ, trocar figurinhas, fazer um som e, como de costume dessa galerinha da música, usar as mais variadas drogas recreativas. Estavam lá Soundgarden, Mudhoney, o projeto paralelo Mad Season e até Krist Novoselic, ao vivo, para quem quisesse transmitir e quem quisesse ouvir. Classe A.

Aí que eu tinha um bootleg do Pearl Jam exatamente dessa transmissão, comprado naquele Mercado Livre pré-Thiago Tanaka. No final do CD, de lambuja, três músicas do Soundgarden, também do Self Pollution, incluindo uma demo de Fell on Black Days que, de tão diferente da versão original, parecia mais uma raridade qualquer do Budgie que de fato uma música composta pelo Chris Cornell. A surpresa foi encontrar apenas hoje, milênios depois, um registro em vídeo dessa pequena gema.

E o coração se enche mais uma vez de alegria.

 

Dia 18 de março, Bigelf em Curitiba. Ah, teve show do Dream Theater também

Bigelf em Porto Alegre, porque as minhas fotos ficaram um lixo. Fabio Santa Helena, roubei essa imagem do seu Flickr e espero que você não me processe.

— Então, fui ver o Bigelf abrir pro Dream Theater ontem.
— Pô, eu vi eles. Aqui perto do trampo, no hotel Pestana.
— q
— Sim. Uns barbudões, né.
— Sim. *chora*

Considerando que eu não tenho cacoetes de tiete, fica fácil concluir que eu não me toquei que os caras estariam pela cidade. Porque eles almoçam e tal. Precisam dormir. Tomar banho. Que burro. E saber que o tal hotel fica apenas a algumas quadras da minha casa só me fez sentir um pouco mais otário.

O Bigelf foi uma das primeiras bandas que eu ouvi quando descobri que havia vida longe das drogas pesadas. Eles, junto com Electric Wizard, Dead Meadow e Dozer me fizeram continuar gostando dos anos 70, mas sem a bichogrilice tão comum àqueles panacas que adoram fazer manha e dizer que não se faz mais música boa como antigamente. A primeira música que ouvi foi Madhatter, do terceiro disco, Hex. E aí, bem, aí a casa caiu.  Impossível não gostar deles se você tem, entre suas bandas favoritas, nomes como Black Sabbath e Beatles.

Com alguns contratempos que envolvem táxis, oito pessoas dormindo no meu apartamento e um Barcelona x Inter no Pro Evolution Soccer 2010, com vitória do Barcelona, cheguei com meu amigo ao Curitiba Master Hall um pouco depois do que pretendia. Não seria um grande problema se eu não tivesse o costume de esquecer que aquele lugar é uma bosta. Sério. Não é incomum você ficar do lado de fora, numa fila que dobra o quarteirão, esperando os seguranças vagarosamente liberarem a entrada da galera. No entanto, o local faz uma brincadeira interessante: ele rebate a estrutura meia boca, a acústica escrota e a péssima dinâmica de entrada com, veja só, ingressos pela metade do preço pra todo mundo. Sim, você não precisa ser estudante ou um avô. Basta levar um quilo de seu alimento favorito (sal não vale, ok) que você automaticamente paga metade do valor. Isso me leva ao cálculo de que eu gastei 80 reais pra ver seis músicas. Mais barato que ver ator brasileiro pelado em peça de teatro.

O set do Bigelf foi curtíssimo, como era de se esperar. Mas que show do caralho. Som gordo e bruto. Dá gosto ver o Ace Mark destruindo aquela SG. Damon Fox é um gênio e não tem como não achar demais ver aquele camarada cantando e tocando um Hammond e um Mellotron AO MESMO TEMPO. É de ficar vesgo. E enquanto meus dois amigos e eu babávamos com os acordes de Blackball, Money Machine e Disappear, o resto da galera não parecia entender o que faziam aqueles três imbecis pulando enquanto a casa, abarrotada de fãs do Dream Theater, não esboçava ainda nenhuma reação considerável.

Ao fim do show, um cisco entrou no meu olho e eu tive que ir ao fundo do Master Hall, daonde já fomos à caça de camisetas, adesivos ou algo do tipo. Em meio a umas duzentas toneladas de camisetas pretas do Dream Theater, vimos CDs do Bigelf à venda. Quarenta reais. Amigo, 2001 já passou, foda-se se esse CD é importado. Dei um tapa na cara do vendedor bem no momento em que o local começou a tremer. Pelo jeito a apresentação principal iria começar.

De qualquer forma, fica aqui meu agradecimento ao Dream Theater. Se não fosse pelo senhor Mike Portnoy, dificilmente eu teria visto um show do Bigelf na cidade onde moro. E que show, porra, que curto e magnífico show. Obrigado, fera. Você é um estranho tocando bateria, mas mesmo assim, hoje, eu te daria um belo dum abraço.