Deep Work, segunda regra: aceite o ócio

A segunda das quatro regras do livro Trabalho Focado tem como ideia a arte de aceitar o ócio. Mas o ócio aqui não é o simplesmente não fazer nada, ou ficar rolando algum aplicativo como o Twitter ou o Instagram. Em paralelo ao que Domenico de Masi explica em seu livro O ócio criativo, o objetivo é aplicar os conceitos do trabalho focado para que seu tempo livre também tenha qualidade.

Newport utiliza conceitos da atenção plena, também conhecida como mindfulness, para explicar que quanto menos tempo de ócio você se permite ter, mais difícil pode se tornar a entrada num modo totalmente focado. Aceitar o ócio precisa ser mais importante do que o preenchimento dos espaços com coisas aparentemente recompensadoras. Em vez de não fazermos nada enquanto aguardamos na fila do banco, as redes sociais acabam preenchendo esse vazio incômodo.

Esta regra é dividia em quatro pequenas diretrizes:

Em vez de fazer pausas entre distrações, faça pausas entre períodos de foco

Newport menciona justamente um detox digital, referenciado no livro como um sabático da internet. A ideia é separar tempo regularmente para momentos sem conectividade. Esse tempo pode ser de algumas horas por semana como também englobar um dia inteiro.

A diretriz me lembrou a experiência de Paul Miller, um jornalista de tecnologia que se manteve teve uma desconectado por um ano. Como tal experimento é mais difícil, Cal propõe algo mais leve: em vez de fazer pausas entre distrações, agende tempo para essas atividades superficiais. 

O autor afirma que o problema não são as ferramentas nem a internet, mas a constante alternância entre distração e tarefas focadas. Uma vez que nos acostumamos com esse comportamento, nosso cérebro geralmente escolhe o primeiro ao menor sinal de tédio ou dificuldade.

A justificativa é que estar sempre conectado significa que você está desfazendo todo o aprendizado do trabalho focado em sua vida profissional. Agendar o tempo que você ficará na internet e usar aplicativos como o Freedom são sugestões.

Faça como Teddy Roosevelt

O ainda estudante Theodore Roosevelt programava seu dia para ter oito horas e descontava desse total o tempo gasto como aulas, exercícios e seu almoço. O tempo que lhe sobrava era totalmente voltado para o estudo. E para tirar o máximo desse tempo reduzido, Roosevelt precisava estudar com muita intensidade.

Newport recomenda que você comece a fazer experimentos de altíssima concentração com restrição de horários. Identifique uma tarefa importante, avalie quanto tempo você demoraria para completá-la e então se dê um prazo mais curto. Se você acha que uma tarefa demora duas horas pra ser feita, agende uma hora, resistindo a qualquer distração.

Uma forma de praticar é tentar publicar um texto em dez minutos.

Medite produtivamente

O objetivo da meditação produtiva é pegar um momento em que você esteja ocupado fisica, mas não mentalmente – caminhando, correndo, dirigindo, tomando banho – e focar sua atenção em um único e bem definido problema profissional. 

Craig Mod em suas caminhadas pelo Japão

Quando tentei algo semelhante à meditação produtiva, fiquei preso repetindo os mesmos tópicos na minha cabeça, um comportamento que o autor recomenda evitar. Agendar um dia ou uma atividade específica para praticar esta meditação pode ajudar no equilíbrio. Em alguns momentos você lava a louça pensando em um problema no trabalho, em outros você pode simplesmente preferir permanecer na tarefa. Ou assistir a um vídeo de receitas no YouTube, meu caso.

Um exemplo muito interessante vem de Craig Mod, um escritor que usa longas caminhadas diárias como seu sistema principal de produtividade. Ele também aplica outras idéias compartilhadas no livro como separar grandes blocos de tempo para tarefas ou focar períodos mais logos a um único projeto.

Memorize as cartas de um baralho

Nesta seção final, Newport explica os passos necessários para memorizar um baralho completo usando como base os trabalhos de Daniel Kilov e Ron White. O motivo para esse exercício é que o maior efeito colateral do treino de memorização é um aumento na capacidade de se concentrar. E isso pode ser aplicado a qualquer tipo de trabalho focado.

Esse exercício de memorização não se aplica somente a baralhos. Qualquer processo mental que precise de um pouco de estrutura pode ser usado e assim lhe preparar para tarefas importantes do dia-a-dia.


Meu obrigado ao amigo Felipe pelo texto do Craig Mod.

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